quinta-feira, 1 de outubro de 2009

BASTIDORES DO VAZAMENTO DO ENEM

BASTIDORES DO VAZAMENTO DO ENEM

Fonte: http://blog.estadao.com.br/blog/renata/title=bastidores_do_vazamento_do_enem&more=1&c=1&tb=1&pb=1
por Renata Cafardo - 01.10.09


Meu telefone fixo tocou por volta das 15h30 de ontem e uma voz tremida do outro lado confirmou meu nome completo e avisou que queria falar sobre o Enem. Já havia recebido mais cedo um recado de alguém estava interessado em vender o gabarito da prova, que seria realizada por 4,1 milhões de alunos no fim de semana.
O homem disse pouco, preferia não falar ao telefone e queria um encontro ao vivo. Mas avisou que o que ele tinha era a prova toda, as 180 questões dos dois dias, já impressas. Eu falei que tinha interesse em verificar a veracidade do material e então marcamos para as 19h15 em um café perto do jornal.
A direção decidiu que eu fosse acompanhada de duas pessoas e então o editor do Ponto Edu, Sergio Pompeu, e o fotógrafo Evelson de Freitas, foram escalados para isso. Sentamos os três no café e esperamos. Não sabíamos nome algum ou rosto de quem procurar, mas um dos informantes chegou primeiro e nos identificou. O outro chegou poucos minutos mais tarde, com uma pasta cheia de papéis.
Segundo eles, o material tinha sido vazado por alguém em Brasília, no Inep/MEC. Eu pedi para ver a prova e eles a colocaram, sem cerimônias, na mesa do café. Estavam lá os logotipos do governo federal, das empresas contratas para organizar a prova, do Inep. Ao folhear a prova, não acreditava no que via. As questões tinham o perfil do Enem, um exame que cobra competências e habilidades, usa temas cotidianos. Vi lá tiras da Mafalda, do Garfield, trechos da Canção do Exílio e de uma reportagem da revista Veja. Tratei de decorar o máximo de questões possíveis.
Vi também a prova de matemática, mas as questões eram enormes, obviamente cheias de números, e desisti de tentar memorizá-las. Depois de dois minutos, um dos homens me tirou a prova das mãos. "Já viu demais", disse. Perguntei sobre a redação e eles se negaram a mostrar essa parte da prova.
Queriam dinheiro e deixavam claro isso. Pediram R$ 500 mil e tinham a convicção de que fariam o negócio com algum veículo de imprensa. Deixamos claro que o Estado repudiava esse tipo de comportamento, que aceitaríamos denunciar o vazamento desde que não pagássemos por isso. Eram homens simples, pareciam não ter qualquer experiência com provas ou conhecimento do sistema educacional do País. Os dois, por volta dos 30 anos de idade, viam no material que "tinha caído no colo deles" como uma "oportunidade única". Um deles tinha comportamento mais truculento, falava de maneira mais agressiva. O outro aparentava nervosismo, medo. "Não somos bandidos. Queremos nos livrar disso o mais rápido possível", dizia.
Saímos cheios de dúvidas do encontro. Já no jornal, a direção decidiu que entraríamos imediatamente em contato com o ministro da Educação, Fernando Haddad, e que nada seria publicado até que houvesse uma confirmação de que a prova que tínhamos visto era verdadeira. Durante as 21horas e 0h30 falei cerca de 10 vezes com o ministro, que prontamente nos informou as providências que estavam sendo tomadas (procura pelos técnicos do Inep, abertura do cofre para identificar a prova etc). Ele foi informado das questões que eu tinha memorizado.
Pouco antes da 1h da manhã veio a confirmação de que o Enem seria cancelado. A prova que tive em mãos era verdadeira.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

ACAFE ALTERA PROVA DO VESTIBULAR


ACAFE ALTERA PROVA DO VESTIBULAR

A seguir, correspondência recebida do Prof. Darcy Laske, sobre alterações no vestibular da ACAFE.

1. Passa a adotar a “Matriz de Referência do novo ENEM 2009”;
2. Reformulará a prova, que passará a ter uma redação (de 20 a 30 linhas) e 60 (sessenta) questões objetivas, com quatro alternativas de resposta (a, b, c e d), distribuídas entre as disciplinas a saber:
- Língua Portuguesa e Literatura: 14 (quatorze) questões dentre elas
10 (dez) de Língua Portuguesa e 4 (quatro) de Literatura;
- Língua Estrangeira (Inglês e Espanhol): 4 (quatro) questões;
- Matemática: 7 (sete) questões;
- Física: 7 (sete) questões;
- Química: 7 (sete) questões;
- Biologia: 7 (sete) questões;
- História: 7 (sete) questões;
- Geografia: 7 (sete) questões;
Incluirá nas questões de História, Geografia e Literatura, conteúdos sobre o Estado de Santa Catarina.
A aplicação da prova será realizada no turno Vespertino, do dia fixado, das 13h às 18h.

Abraços

Darcy Laske
Secretário Executivo

quarta-feira, 1 de julho de 2009

PERSONAGENS DA HISTÓRIA DA FÍSICA - ELETRICIDADE

PERSONAGENS
DA HISTÓRIA DA FÍSICA

- ELETRICIDADE -
Prof. Edson Osni Ramos (Cebola)

1. TALES DE MILETO (625 a.C - ?)

Tales é considerado um dos precursores da Ciência, pois procurou substituir explicações místicas sobre o Universo por explicações com algum cunho científico. Os gregos, que o consideram o mais antigo de seus filósofos, supõe que ele trouxe seus conhecimentos do Egito. Consta que tenha medido a altura de uma pirâmide egípcia a partir de sua sombra, comparando-a com a sombra de uma pequena haste, aplicando a semelhança de triângulos.
Para Tales e seus seguidores, deveria existir uma substância única (substância fundamental) que permaneceria imutável mesmo participando de fenômenos mutáveis do universo. Segundo eles, esta substância era a água.
Os astros teriam natureza terrestre, embora fossem todos incandescentes como o Sol, e a Lua seria iluminada pela luz solar, o que possibilitaria a explicação dos eclipses lunares.
Existe uma lenda que diz ter Tales previsto a ocorrência de um eclipse solar, que de fato ocorreu, segundo cálculos astronômicos atuais, em 585 a.C. Essa previsão teria sido utilizada para assustar exércitos que participavam de uma guerra, fazendo-os acertar um acordo de paz.
Os primeiros registros de fenômenos eletrostáticos vem dessa época, segundo os quais tecelões, ao esfregarem bastões feitos de âmbar (resina vegetal fossilizada) em lã de ovelha (ou até em pele de gato), observavam que os referidos bastões adquiriam a capacidade de atrair pequenos pedaços de palha de milho.
O mesmo ocorria com os carretéis (feitos de âmbar) usados para enrolar fios de lã ou algodão usados em seus teares. Após o constante atrito do carretel com os fios, esses passavam a atrair outros pedaços de fios ou mesmo a eriçar os pelos dos braços dos tecelões.
Em grego, o termo âmbar se traduz como “elektro”. Daí vem o nome eletricidade.
Dos filósofos antigos, apenas de Tales temos algum registro sobre Eletricidade.

2. WILLIAM GILBERT (1544 - 1603)

O inglês William Gilbert vivia em Londres, onde exercia a função de médico na corte (na época da rainha Elizabeth I). Além de médico, como era comum aos intelectuais da época, dedicava-se ao estudo das Ciências, interessando-se pelos fenômenos físicos.
Os fenômenos magnéticos tornaram-se sua área de interesse, tendo demonstrado que a agulha de uma bússola se desviava nas proximidades de uma esfera imantada.
Ao observar que outros materiais além do âmbar atraíam pedaços de tecido de lã, concluiu que o fenômeno que ocorria entre o âmbar e os pedaços de palha de milho também ocorria com muitas outras substâncias.
Assim, se os fenômenos observados com o “eléktro” (âmbar) ocorriam de forma idêntica com outros materiais, então estes materiais tinham o comportamento do “elektro”. Vem daí a popularização do termo eletricidade.


3. CHARLES DÜ FAY (1698 - 1739)

Cientista francês, verificou a existência de dois tipos de “fluidos” elétricos observando que fluidos de mesma espécie se repeliam e de espécies diferentes se atraiam. Observou, também, que alguns materiais conduziam facilmente esses "fluidos", enquanto outros não conduziam.
Dü Fay verificou que ao atritar âmbar com um pedaço de lã, esse se eletrizava e repelia outro pedaço de âmbar igualmente eletrizado. Do mesmo modo, ao atritar vidro com um pedaço de lã, esse se eletrizava e repelia outro pedaço de vidro igualmente eletrizado. Porém, o vidro eletrizado atraia o âmbar eletrizado.
A partir daí, denominou-se a eletricidade do vidro sendo eletricidade vítrea e a das demais substâncias, eletricidade resinosa.


4. BENJAMIN FRANKLIN (1706 - 1790)

Nascido nos Estados Unidos quando ainda era colônia das potências européias, Franklin foi destacado político de sua época, tendo participação nos processos da independência de seu país, em 1776.
Indivíduo de múltiplas habilidades foi também cientista, pintor e escritor.
Na Ciência, sua principal área de estudo foi a Eletricidade, tendo interessado-se pela experimentação conhecida como Garrafa de Leyden, que depois de ser carregada eletricamente, ao ser tocada emitia uma faísca acompanhada de um estampido. Imaginando ser esse fenômeno um “raio em miniatura”, Franklin elaborou uma experimentação para testar sua hipótese.
Em 1752, empinou uma pandorga (pipa) quando o céu estava coberto de nuvens, propenso ao surgimento de raios, conseguindo (com muita sorte de não ter morrido) coletar eletricidade das nuvens.
Foi Franklin quem passou a denominar a eletricidade vítrea de positiva e eletricidade resinosa de negativa.

5. CHARLES A. DE COULOMB (1736 - 1806)

Coulomb trabalhou como engenheiro militar até os 40 anos, quando, por problemas de saúde, passou a dedicar-se à pesquisa e a experimentação científica.
Foi o primeiro indivíduo a se preocupar com as aspectos quantitativos dos fenômenos elétricos, já que até sua época a preocupação era apenas com os aspectos qualitativos.
Para determinar o módulo da força elétrica entre corpos carregados eletricamente, Coulomb inventou a chamada “balança de torção”.
Este dispositivo foi adaptado e, mais tarde, utilizado para se determinar a constante de gravitação universal. Foi através desse dispositivo que Coulomb comprovou experimentalmente a expressão do cálculo da força elétrica, conhecida como “Lei de Coulomb”.


6. ALESSANDRO VOLTA (1745 - 1827)

Italiano nascido em Como, só começou a falar aos 4 anos de idade, o que levou seus parentes a suspeitar de que era mudo.
Teve educação condizente a alguém de família rica e tradicional, com muitos parentes entre o clero da época. Aos 18 anos iniciou seus trabalhos de investigação e pesquisa em Eletricidade.
Em 1774 inventou um aparelho chamado eletróforo, que conseguiu acumular grande quantidade de carga elétrica e que é o precursor dos capacitores utilizados atualmente.
Quando Luigi Galvani descobriu que os músculos de pernas de rãs, já mortas, se contraiam ao receber descargas elétricas e que esse fenômeno se repetia mesmo quando os músculos eram simplesmente colocados em contato com dois metais diferentes, Volta fez um experimento demonstrando ser possível descargas elétricas entre os dois metais sem a participação de tecidos musculares.
Anos após, conseguiu demonstrar experimentalmente que era possível obter corrente elétrica estável e contínua a partir de um sistema constituído por diversos recipientes contendo uma solução salina (bateria elétrica). Em seguida inventou a “pilha elétrica”, empilhando diversas placas de cobre e de zinco, intercalados com papel ou tecido embebido de solução salina. Essa idéia é o princípio da pilha elétrica utilizada até em dias atuais.
Em sua homenagem, a unidade de potencial elétrico (e de tensão elétrica - ddp) no sistema internacional de unidades é o volt.


7. THOMAS A. EDISON (1847 - 1931)

Devido sua dificuldade de adaptação na escola convencional, recebeu educação acadêmica em casa, ministrada por sua mãe que era professora.
Já a partir dos 12 anos começou a trabalhar como jornaleiro, em uma linha de trens, conseguindo montar, a partir de um laboratório de química, meios de imprimir seu próprio jornal.
Com 15 anos aprendeu telegrafia e, aos 21 anos, patenteou seu primeiro invento, um dispositivo para registrar votos mecanicamente.
A partir daí foi para Nova York, onde sua carreira de inventor ascendeu.
Em 1876, criou um laboratório de pesquisas industriais, iniciando seu trabalho com aproximadamente 80 colaboradores, tendo conseguido patentear, em 4 anos, em torno de 300 experimentos.
Édison aperfeiçoou o telefone, inventado por G. Bell, e inventou um aparelho de reprodução sonora, o fonógrafo, precursor de nossos aparelhos de som atuais.
Em 1871, iniciou os trabalhos para obter luz a partir de energia elétrica, em uma época em que não havia rede elétrica. Partiu do princípio de que se a lâmpada elétrica desse certo, criaria dispositivos para a geração e transmissão de energia elétrica que alimentaria a lâmpada.
Em 1878, uma lâmpada por ele construída brilhou por 48 horas contínuas e, na comemoração de final de ano, uma rua inteira, próxima ao seu laboratório, foi iluminada por lâmpadas elétricas.
A foto ao lado mostra a primeira lâmpada criada por Édison.
Dois anos depois construiu a primeira estação geradora de corrente elétrica, que produzia corrente contínua, gerando o início de um conflito com cientistas como Tesla e Westinghouse, que defendiam a utilização da corrente alternada.
As criações de T. Edison não são propriamente científicas, no sentido puro do termo, mas muito mais ligadas a fatos do cotidiano.

CURIOSIDADE

Em 1879, no mesmo ano em que Thomaz Édison patenteou a lâmpada elétrica e construiu a primeira usina hidrelétrica, em Nova York, o imperador D. Pedro II inaugurou a iluminação elétrica no Brasil, na antiga Estação da Corte, hoje Estação D. Pedro II, no Rio de Janeiro, com seis lâmpadas elétricas, dando início ao uso de energia elétrica gerada por processos mecânicos em nosso país.
A primeira usina hidrelétrica no Brasil entrou em atividade em 1889, denominada "Marmelos", em Minas Gerais.
A partir de 1920 o Brasil foi tendo o seu número de usinas hidrelétricas instaladas aumentado, num crescimento constante.
Hoje, em torno de 80% da energia elétrica que consumimos em nosso país vem de usinas hidrelétricas.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O MAR É VERDE OU AZUL?

O MAR É VERDE OU AZUL?

Autor: Prof. Edson Osni Ramos (Cebola)

No mundo inteiro, não existe paisagem mais bonita do que a visão da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, do alto do chamado "Morro das Sete Voltas" (Morro da Lagoa). O verde da mata , os contornos azulados da lagoa e do mar e as dunas da praia da Joaquina ao fundo são deslumbrantes!

É que quando a radiação solar incide em nossa atmosfera (onde há predominância do gás nitrogênio), sofre dispersão (decomposição da luz em todas as cores que a constituem) com um maior espalhamento das radiações azul, anil e violeta. Por isso o "céu terrestre" é azulado.
Na Lua, como não existe atmosfera, o chamado "céu lunar" é escuro.
Essas radiações, quando incidem na lâmina d'água da lagoa ou do mar são refletidas como em um espelho. Por isso, a luz que volta da água do mar é principalmente azul, dando-nos a impressão do mar ser dessa cor. Na realidade, essa é a cor do “céu terrestre”, que é refletido na água.
Quando essa luz incide na superfície da água, parte reflete, parte é absorvida e parte refrata, "entrando" na água, permitindo que se veja a flora e fauna marinhas.
Quanto maior a profundidade, mais radiação é absorvida pela água. Esse é o motivo pelo qual fotografias batidas a grande profundidade dão a impressão de que a água do mar é verde, pois essa cor é menos absorvida pela água do que o azul.
Porém, também podemos ver o mar esverdeado mesmo olhando de fora da água. Isso ocorre quando a água possui pouca profundidade e nela existe grande quantidade de planctons, que possuem a cor natural verde.
Os planctons absorvem as demais cores, não absorvendo o verde, que é difundido, dando a impressão do mar ser esverdeado.
Outro fato é que, quando a luz incidente encontra muita poeira e vapor d'água em suspensão na atmosfera, parte dela é absorvida. Isso faz o "céu terrestre" e a luz refletida na água do mar ficarem em um tom de azul mais esbranquiçado ou acinzentado.
É por isso que no outono, quando o clima é tradicionalmente mais seco, o "céu terrestre" e a água do mar apresentam um tom de azul mais forte do que em outras épocas. É o mesmo motivo que justifica o fato de que, em grandes metrópoles, onde o grau de moléculas em suspensão na atmosfera (poluição) é muito grande, dificilmente o céu se apresenta em azul, tendo normalmente uma coloração acinzentada.

domingo, 7 de junho de 2009

ENERGIA NUCLEAR - APLICAÇÕES

ENERGIA NUCLEAR - APLICAÇÕES


Autor: Edson Osni Ramos (Cebola)

Muitas vezes ouvimos e lemos barbaridades sobre o uso da energia nuclear, sobre os perigos e malefícios de sua utilização. Mas, será que é assim tão ruim mesmo?
A energia nuclear, assim como todas as descobertas e inovações científicas e tecnológicas, pode ser utilizada para fins pacíficos ou bélicos. Dar prioridade a uma destas formas de utilização não é apenas uma questão técnica ou científica, mas, sobretudo, política.
É fato conhecido que, desde o final da Segunda Guerra Mundial, a energia nuclear tem sido utilizada pelas grandes potências mundiais principalmente para desenvolvimento e fabricação de armas destinadas à destruição e extermínio em massa. As armas nucleares existente, caso fosse detonadas, certamente causariam a eliminação total da vida no planeta Terra.

Apesar das aplicações bélicas, energia nuclear não é necessariamente sinônimo de armamento, como querem fazer crer alguns setores com influência nos meios de comunicação. O uso pacífico desta forma de energia desempenha, cada vez mais, papel relevante na elevação do nível de vida dos povos de nações mais desenvolvidas e abrangem a pesquisa científica básica. É só observarmos a produção de isótopos radioativos (denominados radioisótopos) para uso medicinal, industrial e agrícola, para a alteração das propriedades de materiais, a propulsão de embarcações marítimas e a geração de energia elétrica.
Para abordar apenas este último uso, dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que as 424 usinas nucleares em operação produzem, atualmente, 17% do total da energia elétrica consumida em todo o mundo (dados de 2004).
Nestas condições, o domínio pleno da tecnologia nuclear para fins pacíficos é imprescindível às nações que de fato pretendem promover o bem-estar social de seus povos por meio do desenvolvimento tecnológico autônomo e, conseqüentemente, do progresso econômico. Até porque, sem bem-estar social é impossível alcançar a paz duradoura, seja a nível local ou mundial.

Os radioisótopos são aplicados principalmente nas áreas de medicina, agricultura, indústria, arqueologia e diversas áreas de pesquisas. Podem ser usados como traçadores, como fontes de radiografia e como fontes de irradiação.
Na medicina, o Iodo-131 é utilizado para fins de diagnóstico e terapia da tireóide, o Tecnécio-99m ligado a moléculas específicas permite realizar diagnósticos para quase todos os órgãos do corpo humano; o Cromo-51, para marcação de células; o Cácio-45, para estudos metabólicos do Cálcio; Sódio-24, para estudo da difusão em membranas e equilíbrio sódio-potássio; o Gálio-67, para detecção de tumores em tecidos moles; o Tálio-201, para a visualização do miocárdio e, recentemente, o Samário-153, para eliminação de dor de câncer ósseo.
Na agricultura, o fósforo-32 é utilizado para verificar a absorção dos fertilizantes pelas plantas, no estudo dos processos orgânicos e bioquímicos dos animais e nos estudos dietéticos; o Fósforo-32 e o Estrôncio-89 são empregados na avaliação da eficácia dos controles de insetos destruidores e portadores de doenças; o Carbono-14 é usado no estudo do grau de decomposição das matérias orgânicas no solo e sua disponibilidade como alimento para plantas e no estudo da fotossíntese; o Cobalto-60 para preservação e esterilização de alimentos.
Na indústria, o Ferro-59 é utilizado para medir o desgaste das molas de segmentos dos êmbolos dos motores em atrito; o Fósforo-32, para medir o desgaste dos frisos do pneu de automóvel; o Sódio e o Iodo radioativos são freqüentemente utilizados para indicar vazamentos nas tubulações de água; os radioisótopos emissores de raios beta são utilizados para determinar espessura de metais; a utilização dos raios gama do Cobalto-60 como fonte de radiação para provocar reações químicas, possibilitando a alta qualidade na fabricação de combustíveis, lubrificantes e outros subprodutos químicos do petróleo. Na hidrologia, o Trítio artificial é utilizado para estudos de poluição das águas subterrâneas; Bromo-82 para estudos de propagação de contaminantes em rios; o Ouro-198 para determinar o transporte de sedimentos em rios para quantificar o assoreamento de reservatórios ao longo do tempo e propor medidas de prevenção.
Num campo totalmente diferente daqueles que vimos, temos a arqueologia que faz uso do Carbono-14 para determinação da idade de matéria orgânica. Pela versatilidade das aplicações citadas anteriormente, os radioisótopos tornam-se um instrumento indispensável para o bem estar do ser humano.
Assim, podemos ter uma noção de que a utilização de energia nuclear transcende, em muito, a fabricação de armamentos, podendo ser um facilitador de bem-estar aos humanos.