terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

NOVA FACULDADE COMO COTISTA

Na próxima semana teremos as matrículas para os calouros da UFSC. Claro que é um momento de grande alegria para todos eles, porém poderemos ter problemas e ressentimentos aflorando no ambiente universitário.
Os cotistas, e já escrevi isso antes, não são os responsáveis pela política implantada na universidade. Foram as autoridades universitárias e um grupo de estudos, com a participação de várias entidades, que levou adiante os estudos sobre a questão, que culminou com a implantação do projeto de ações afirmativas, cujo parte mais visível para a sociedade é a política de cotas.
Portanto ninguém tem o direito de discriminá-los!

Nesta semana, dois acontecimentos marcaram meu cotidiano, em relação ao tema.
Uma linda e querida aluna, pessoa de origem muito simples (pobre mesmo!), mulata, portanto de origem “afro-descendente”, estudiosa e esforçada, mostrou-me seu relatório do vestibular da Ufsc. Fez para enfermagem, mas não aderiu à política de cotas raciais, a qual, de acordo com o edital do concurso vestibular, tinha direito.
Não se classificou, porém, se tivesse aderido à referida política, poderia passar até em medicina.
Outro contato foi com um vestibulando de direito, não cotista, aprovado para a turma de agosto.
Pois diz ele que uma de suas colegas de turma será uma jovem senhora, funcionária pública federal, já formada na UFSC administração de empresas e que agora, como cotista, vai ingressar em direito.
Pois eis algo que os nobres colegas que estudaram o projeto em momento algum pensaram: alguém já formado na própria UFSC pode voltar para a mesma instituição, para cursar nova faculdade, e ainda como cotista?!
Com todas as dificuldades de falta de vagas no ensino superior público, é justo alguém fazer um curso e, depois, retornar e fazer outro?
E isso sem pagar nada, ou seja, com todos nós pagando seus estudos.
É legal, sei bem disso, porém é justo?!
E ainda como cotista!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

DESEMBARGADOR SUSPENDE LIMINAR CONTRA AS COTAS NA UFSC


Ontem, 31 de janeiro, quinta feira, quando uma chuva diluviana se abateu sobre nossa Ilha-Capital, tornando-a quase um arquipélago, outra notícia fez aumentar a indignação de muitos: o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, do Tribunal Regional Federal da 4ª região, em Porto Alegre, suspendeu, por despacho, a liminar contra a política de cotas implantada na UFSC.
Contrariando a decisão do juiz federal Gustavo Dias de Barcellos, que atendera ao Ministério Público Federal e havia deferido o pedido de liminar que ignorava a política de cotas na UFSC, o desembargador alega que “o interesse particular não deve prevalecer sobre a política pública”. Ele considera “simplismo” considerar que a Constituição proíbe discriminação por raça ou cor; o que é proibido é a intolerância em relação às diferenças.
Será que todos os desembargadores concordam com ele e emitiriam tal decisão?
Não sei se você, leitor, é como eu: simples mortal que tenta acreditar na justiça e na verdade. Então um pedido de liminar cai na mão de um juiz e ele toma uma decisão. Vai para outro juiz e a decisão é oposta. Não é apenas diferente, é oposta.
Claro, somos todos humanos e, assim, cada qual tem sua maneira de pensar e de interpretar. Pois é, somos todos humanos, ou seja, só existe a raça humana. Então não é estranho falarmos em diferenciação por raça.
Não sejamos hipócritas, é claro que existe preconceito em nossa sociedade. Mas ele é muito mais social do que racial.
É necessária a aplicação das chamadas “ações afirmativas”. E elas já foram iniciadas, embora de forma tímida. Os cursos “pré-vestibular” comunitários e as ações de descontos e bolsas de estudo tomadas por várias instituições particulares são um exemplo.
O que é necessário e urgente é a maior aplicação de recursos no ensino fundamental e médio da escola pública.
Desde sempre, nosso Estado de Santa Catarina é discriminado pela União, também no que tange ao ensino público universitário. Como exemplo, temos, em Santa Catarina, apenas duas instituições universitárias públicas (UFSC e UDESC). E em apenas uma delas (UFSC) existem cursos de medicina, direito e odontologia. No Rio Grande do Sul existem seis universidades federais (em cinco delas existem cursos de medicina e em quatro, cursos de odontologia e direito). No Paraná existem cinco universidades públicas (quatro com medicina e odontologia e as cinco com direito).
Observem que não há outro argumento para isso (a relação de população não é essa) que não seja a incompetência (e/ou negligência) de nossos governantes e legisladores. E, claro, de nós todos, que como sociedade civil elegemos tais indivíduos.
Então temos jovens que se esforçam, dedicam-se ao máximo para ingressar em um curso superior de qualidade, conseguem obter a pontuação necessária para entrar e são barrados pela política de cotas. Perdendo a vaga para outro que obteve pouco mais da metade de pontos (em medicina, um não cotista com 81,03 pontos – 84,44% da prova – não foi classificado, enquanto um cotista com 44,33 pontos – 46,17% da prova – foi classificado e vai ingressar na UFSC em agosto).

Claro que o vestibulando cotista não é o culpado pela situação. E não pode, de forma alguma, ser discriminado em sua atividade acadêmica. Provavelmente muitos alunos (não todos) que foram preteridos em função das cotas, se pudessem também teriam aderido à essa política.

E, óbvio, ninguém pode duvidar da capacidade humana e achar que os cotistas com menor pontuação não vão conseguir acompanhar o nível das aulas. Lembrem-se da frase de Ho Chi Min (líder vietnamita): “Quanto maior a tempestade, maior a possibilidade do pinheiro e do cipreste em mostrar sua força estabilidade”.
Só se tem noção da capacidade de um humano quando o mesmo tem a necessidade de provar alguma coisa, de conseguir algo.
Mas, claro, sabemos que alguns vão necessitar de um acompanhamento extra-classe para conseguir um rendimento satisfatório nas atividades de sala de aula.

E, para finalizar, ao participar de debates na TV na última semana, ouvi muito uma expressão para justificar as cotas: “discriminação positiva”. Mas, positiva para quem?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

DECISÃO DE JUIZ FEDERAL É CONTRÁRIA À POLÍTICA DE COTAS DA UFSC

Em 18 de janeiro passado, atendendo ação proposta pelo Ministério Público Federal, foi publicado no site do Tribunal Regional Federal (http://www.trf4.gov.br/) a decisão o juiz federal Gustavo Dias de Barcellos, da qual selecionei alguns trechos, colocados a seguir.
Diz o Magistrado em sua decisão: Ante o exposto, defiro a antecipação de tutela para determinar ao Magnífico Reitor da UFSC que garanta as vagas e conceda o direito de matrícula e freqüência às aulas a todos os candidatos que tenham alcançado a pontuação mínima exigida para a classificação, ignorando-se a preferência concedida pela Resolução Normativa nº 008/2007, ou seja, ignorando-se a política de ações afirmativas (cotas) implantada.
Em sua decisão, o Juiz ainda citou: A ciência contemporânea aponta de forma unânime que o ser humano não é dividido em raças, não havendo critério preciso para identificar alguém como negro ou branco.
Ainda diz o Juiz: Não existindo raças, e presente a circunstância de que no Brasil a população resulta da imigração de diversas origens e sua miscigenação, com que autoridade científica a tal “Banca de Validação da Auto-Declaração estabelecida no art. 14 da referida Resolução poderá apontar quem é negro e quem não é?
Outro detalhe que chama a atenção na decisão, é sobre a autonomia das universidades. Diz o Juiz: ... estando a autonomia administrativa da Universidade restrita ao seu próprio funcionamento, não podendo estabelecer direitos ou impor vedações de forma discricionária.
E agora ?

Se você quer mais detalhes, entre em http://www.trf4.gov.br/, na Ação Cível Pública Nº 2008.72.00.000331-6/SC.
Prof. Edson O. Ramos (Cebola)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

POLÍTICA DE COTAS NA UFSC

Consultando o site da Universidade Federal de Santa Catarina (http://www.coperve.ufsc.br.), observa-se algo que nos faz pensar: a política de ações afirmativas implantada no último vestibular, ou seja, a implantação de cotas, é algo justo?
Claro, historicamente, percebe-se que a quantidade de alunos negros em nossas universidades públicas é percentualmente menor do que a população negra.
Claro que o ensino público – para negros, brancos, amarelos, etc. – é defasado, culpa de uma política educacional criminosa, implantada desde sempre em nosso país.
Agora o governo vem com paliativos: cotas sociais e raciais e o pró-uni.
É a história do indivíduo que está parado em um semáforo e vê uma criança maltrapilha, mendigando. Uma cena triste e cruel, que fica impregnada na retina.
O que faz o governo para acabar com isso? Simplesmente tira o semáforo. Pronto, ninguém mais vai ver a criança ali.
É a política de cotas.
Qual a diferença entre o negro pobre e o branco pobre?
Analisando os resultados, é estarrecedor.
O último classificado em odontologia (pela cota racial) obteve apenas 29,71 pontos. De 96 possíveis!
Com esse resultado, se não existisse esta política, não seria aprovado em nenhum curso do vestibular Ufsc’2008.
Em Medicina, onde a primeira colocada geral obteve 91,68 pontos de 96 possíveis, o último classificado sem a política de cotas obteve 81,04 pontos. Nas cotas de oriundos da escola pública, o primeiro classificado obteve 80,87 pontos e o último, 70,35 pontos. E nas cotas raciais, o primeiro classificado obteve 63,90 pontos e o último, apenas 44,33 pontos.
Esse último classificado em Medicina, se não existisse a política de cotas, seria aprovado apenas nos cursos de Biblioteconomia, Letras (Alemão e Português), Licenciatura em Matemática, Pedagogia e Serviço Social.
E, para finalizar: tivemos, no ano passado (2007), um aluno que cursou todo o ensino fundamental em uma escola pública do norte da Ilha e as duas séries iniciais do ensino médio em uma escola pública do centro de Florianópolis. Como o aluno era muito bom, quando foi fazer a terceira série do ensino médio, a família conseguiu um desconto de 50% nas mensalidades e ele cursou uma escola particular. Os outros 50% foram pagos (absolutamente em dia) pela família – pai, irmão mais velho e padrinho. Este aluno, que não pode ser incluído na política de cotas - não cursou todo o ensino fundamental e médio em escolas públicas - obteve mais de 80 acertos no vestibular, mas não se classificou para Medicina, sua meta.
E um outro entrou com 44,33 pontos.
É justo??

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

ORIGEM DE EXPRESSÕES ATUAIS

Quando se fala em Paris, o Palácio de Versailles faz parte de qualquer itinerário apresentado por guias ou folders da cidade-luz. Mas. você sabia que o palácio, embora suntuoso, não possui banheiros?
É que, quando da sua construção, isso era o habitual.
Na Idade Média não existiam dentifrícios ou escovas de dente, perfumes, desodorantes, muitos menos papel higiênico. Assim, as excrescências humanas eram despejadas pelas janelas do palácio.
Em dias de festa, a cozinha do palácio conseguia preparar banquete para 1.500 pessoas, sem a mínima higiene.
Vemos, nos filmes de hoje, as pessoas sendo abanadas, durante as festividades ou momentos de descanso e lazer.
A explicação não está no calor, mas no mau cheiro que exalavam por debaixo das roupas (que propositalmente eram feitas para conter o odor das partes íntimas, já que não havia higiene).
Também não havia o costume de se tomar banho, devido ao frio e à quase inexistência de água encanada. O mau cheiro era dissipado pelo abanador.
Por isso, os ricos tinham lacaios para abaná-los, para dissipar o mau cheiro que o corpo e a boca exalavam, além de, espantar moscas e outros insetos.
Quem já esteve em Versailles deve ter admirado os enormes e belos jardins que, em outros tempos, não eram só contemplados, mas "usados" como vaso sanitário nas famosas baladas promovidas pela monarquia, já que não existiam banheiros.
Na Idade Média, a maioria dos casamentos ocorria no mês de junho (para eles, o início do verão). A razão é simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio, com a proximidade do verão e de temperaturas mais elevadas. Assim, em junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável. Entretanto, como alguns odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam buquês de flores, junto ao corpo, para que, com o aroma das flores, disfarçar o mau cheiro.
Daí temos a explicação para ser maio como o "mês das noivas". E a origem do buquê de noiva.
Os banhos eram tomados numa única bacia, enorme, cheia de água quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água limpa. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de idade, as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças. Os bebês eram os últimos a tomar banho.
Quando chegava a vez deles, a água da bacia já estava tão suja que era possível "perder" um bebê lá dentro.
É por isso que existe a expressão em inglês: "don't throw the baby out with the bath water", ou seja, literalmente, "não jogue fora o bebê junto com a água do banho", que hoje eles usam para brincar com indivíduos muito apressados.
O telhado das casas não tinha forro e as vigas de madeira que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais - cães, gatos, ratos e besouros se aquecerem. Quando chovia, as goteiras forçavam os animais a pularem para o chão. Assim, a expressão "está chovendo canivete" tem o seu equivalente em inglês em "it's raining dogs and cats " (está chovendo cães e gatos).
Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho.
Certos tipos de alimento oxidavam o material, fazendo com que muita gente morresse envenenada. Os tomates, sendo ácidos, foram considerados durante muito tempo sendo venenosos.
Os copos de estanho eram usados para beber cerveja ou uísque. Essa combinação, às vezes, deixava o indivíduo desacordado (numa espécie de narcolepsia, induzida pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho).
Alguém que o observasse poderia pensar que ele estivesse morto e, assim, recolhia-se o corpo e preparava-se o enterro.
O corpo era, então, colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o "morto" acordava ou não. Daí surgiu o hábito de “velar o morto”, que é a vigília junto ao caixão.
Na Inglaterra, os cemitérios eram pequenos, nem sempre havia espaço para se enterrarem todos os mortos. Então, quando alguém morria, os caixões enterradoa há mais tempo eram abertos, os ossos retirados e postos em ossários e o túmulo utilizado para outro cadáver.
Às vezes, ao abrirem os caixões, percebia-se que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade tinha sido enterrado vivo. Surgiu, assim, a idéia de, ao se fechar o caixão, amarrar uma tira no pulso do defunto, passá-la por um buraco feito no caixão e amarrá-la a um sino.
Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo, durante uns dias.
Se o indivíduo acordasse, o movimento de seu braço faria o sino tocar. E ele seria "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", expressão usada por nós até os dias de hoje.
Pois é, isso são coisas dos civilizados europeus!
Texto adaptado de material que circula na Internet - autor desconhecido