sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

SAUDADES

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SAUDADES DE AMIGOS
QUE JÁ SE FORAM
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A maioria das pessoas, com o passar dos anos, torna-se mais calma, mais cordata no trato com os demais. Isso é uma regra geral.
Além disso, dos cabelos ralos e prateados, da silhueta que se antes parecia com a de um “toureiro espanhol”, agora está mais para “dançarino de música típica alemã”, a idade e a tão propalada experiência de vida trazem junto um componente absolutamente não esperado: a perda de parentes e amigos, que se vão para o andar de cima.
A maioria de nós, “meninos que já completaram quarenta anos” (faz tempo!), tem em sua contabilidade afetiva um ativo chamado “saudade”.
De amigos que já se foram.
Um dia li que “a coisa mais maravilhosa que alguém pode deixar para os amigos é saudade”.
Frase cruel, mas verdadeira!
Nas minhas orações sempre reverencio a memória daqueles da “nossa turma” de infância, de adolescência, de juventude e da idade adulta, que já partiram.
Que saudade do João (João Batista Derner Neves), meu querido amigo que mergulhou atrás de uma garoupa e não mais voltou! Com 23 anos, em 1980.
Como estaria ele hoje?
E o Sergio (Sergio Alexandre de Pinho – 23 anos), que em 1981 foi assistir uma corrida de MotoCross em Canelinha e, na volta, quase chegando a sua casa, em Palhoça (no Aririú), encontrou um caminhão parado na frente de sua moto. Depois o Marquinho (Marcos Wildner – Sardinha, meu primo – 19 anos), em um poste da Beiramar, em 1983. E o Sid (Sidnei Jorge Sandin – 35 anos), médico dos bons, que saiu em um domingo de janeiro de 1993, às 5 h da manhã, para operar um paciente e encontrou um maluco tentando se suicidar. Para não bater no tal, tirou seu carro da rodovia e acertou uma árvore. E o Elias (José Elias dos Santos, 43 anos), Major da PM, que vivia dizendo para que cuidássemos de nosso preparo físico, de nossa saúde, e morreu de infarto, em dezembro de 1998.
Depois o Siqueira (Paulo Roberto Siqueira), querido amigo, meu ex-aluno e companheiro de atividades em Pinheiral, que se foi em dezembro de 2004. Por causa de uma úlcera!
E o Gilson (Gilson Angelício da Silveira), professor de física - na disciplina “Física Moderna”, o melhor que conheci - que em setembro de 2006 foi dar uma carona para um quase vizinho de sua praia da Armação e foi seqüestrado e assassinado pelo tal.
Depois o Fedelho (Joel Gomes Filho), irmão de tantos anos, ex-aluno, afilhado e companheiro de Pinheiral. Que se foi por falta de potássio no organismo (nunca imaginei que perderia alguém assim), na noite de Natal de 2008.
Isso para não falar de outros queridos, como o Eduardo Reitz, o Maurício (Cego) Floriani, o Bita Angeloni, o Nego Cascaes, o Ricardo Monuma, o Sérgio Bico e muitos outros.
Quanta saudade!
É por isso que acredito que nossa vida não acaba por aqui. Creio na continuidade, em uma outra esfera. Se não, isso seria um absurdo e não valeria à pena tudo o que se passa.
Creio em Deus, em um D’US ÚNICO e verdadeiro.
E creio que um dia todos nos veremos novamente.

Por que tudo isso?
Porque hoje foi mais um, o Jonas Shultz. Médico pediatra dos melhores que conheci, amigo conquistado já na maturidade. De muitos papos e grandes risadas.
Que estejas na presença do Criador, querido amigo.
Que olhes por nós, sempre!!

E que Deus nos abençoe!
Abraço a todos e feliz ano novo.
Edson Osni Ramos (Cebola)

Um comentário:

PAULOCOELHOFLN disse...

Olá Cebola, estou voltando hoje de alguns dias de "reclusão" na Piheira e acabei de ler o teu texto sobre Saudades.
Que texto lindo e atual, principalmente para mim que recente passei a contar com a ausencia e também saudade da minha mãe e também de um grande amigo que trabalhava em uma mesa em frente a minha.
Mas uma coisa você pode ter certeza, somente deixa "saudades" que foi na sua plenitude uma pessoa boa, acredito que ficamos com mais falta dos gestos do que da pessoa propriamente dita.

Um abraço e um Feliz 2011 para você e todas as pessoas a quem você quer bem