terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O IMPEDIMENTO NO FUTEBOL

No início de fevereiro de 2005, após quase dois anos, novamente ocorreu o “grande” clássico do futebol catarinense: FIGUEIRENSE x AVAÍ. Aliás, esse jogo perdeu muito de seu carisma, em função de que um time está na elite do futebol brasileiro e o outro .... Bem, mas isso não vem ao caso, já que no jogo seguinte eles nos “golearam” por 1x0, lá na naquele campo de difícil acesso e cheio de mosquitos.
Mas, voltando ao jogo onde o empate de 1 x 1 foi bastante comemorado pelos avaianos, houve um lance de gol anulado do Figueirense. Uma bola alçada na área por um jogador do Figueirense e cabeceada pelo centroavante Felipe Oliveira. Se após lançada ela ela bateu na cabeça de um atleta do próprio Figueirense (no caso, Wagner Almeida), Felipe estava em impedimento, se não bateu, o gol foi legal. O juiz, atendendo ao aceno do bandeirinha anulou o gol, o que gerou polêmica.
Os comentaristas esportivos, mesmo com os recursos da televisão, não chegaram a um consenso. Afinal, foi ou não impedimento?
No instante do lançamento, Felipe Oliveira estava na posição “A”, quando cabeceou para o gol, na posição B. Se a bola chegou a tocar em Wagner, o gol foi ilegal. Mas, como o juiz poderia saber? Se, mesmo com os recursos da televisão, não se chegou a uma conclusão, como será que o bandeirinha viu?
Em toda partida é sempre a mesma história: o árbitro e seus auxiliares marcam o impedimento e a torcida do time afetado se revolta. Se a televisão mostra o lance quadro-a-quadro e verifica-se que a infração não aconteceu, até a mãe do juiz entra na pauta.
Para o médico espanhol Francisco Maruenda, do Centro de Saúde de Alquerías, em Murcia, os árbitros de futebol e seus auxiliares não podem ser considerados culpados. Em artigo publicado no British Medical Journal (BMJ), o médico utilizou cálculos simples, baseados na fisiologia ocular, para concluir que o olho humano é incapaz de processar todas as informações necessárias para aplicar a regra impedimento.
A identificação do impedimento exige que o árbitro e seus assistentes enxerguem os últimos movimentos de cinco objetos e, ao mesmo tempo, determinem a posição de um em relação ao outro. Eles devem ter a bola como ponto fixo e, simultaneamente, ver a posição dos dois atacantes mais avançados e dos dois últimos jogadores da defesa.
Sabemos que, em média, o olho humano leva 0,041 segundos para diferenciar um sinal luminoso (imagem) de outro. É por isso que no cinema e na televisão as imagens mudam a cada 0,041 segundos, dando a quem está assistindo a sensação de continuidade.
Porém, isso é para quando se olha em uma mesma linha reta, ou seja, para um mesmo ponto fixo. Não é o caso do árbitro e seus auxiliares.
Para apontar a infração, o juiz precisa, no mínimo, enxergar o jogador que conduz a bola, identificar o atacante mais adiantado que irá receber o passe e o penúltimo defensor. Isso demora, no mínimo, 0,420 segundos (o tempo decorrido entre a percepção de uma imagem e outra, quando se muda a posição do objeto focado, é entre 0,210 a 0,280 segundos).
O problema é que, nesse intervalo de tempo, muitas mudanças podem acontecer. Um jogador de futebol corre em média 100 metros em 14 segundos, ou 3 metros em 0,20 segundos, o suficiente para comprometer o julgamento do árbitro.
Assim, era humanamente impossível para o árbitro, e muito menos para o seu auxiliar, que estava mais distante, detectar se o gol de Felipe Oliveira foi ou não em impedimento.
Quando a norma do impedimento surgiu, em 1886, não se conhecia nada de fisiologia ocular. As primeiras informações sobre isso datam de 1903.
O médico Maruenda enviou suas conclusões para a Fifa (Federação Internacional das Associações de Futebol) e sugeriu que o impedimento seja banido ou que se passe a usar o vídeo para detectá-lo. "O uso da tecnologia moderna - como o congelamento de imagens e a análise quadro-a-quadro - é recomendável para limitar os erros", conclui em seu artigo, publicado na edição de 18 de dezembro de 2004 da BMJ.
Talvez, com o fim da regra do impedimento, possamos ter arbitragens mais competentes em jogos de futebol. E isso não se refere apenas ao campeonato catarinense. Todos devem ainda estar lembrados das últimas Copas do Mundo, em 2002 e 2006, onde os erros de arbitragens foram absurdamente comprometedores em algumas partidas.


Um comentário:

gazela disse...

tava impedido sim
pegou no wagner essa bola
e o samuel fez um golaço nesse jogo